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Felicidade e Trabalho

É possível combinar felicidade e trabalho?

Por João Xavier em 21.11.2011

Quero convidar o leitor a refletir sobre a seguinte questão: É possível combinar felicidade e trabalho? Para tanto gostaria que, em um primeiro momento, todos pensassem sobre o que é felicidade e o que é trabalho.

Felicidade é um termo difícil de explicar, afinal, refere-se a uma emoção. O que é ser feliz? O que é estar feliz? Talvez o melhor caminho para a resposta seja o da satisfação. Feliz é aquele que está satisfeito. Aquele que teve seus desejos e aspirações atendidos. Desse modo, podemos partir da definição de que a felicidade é alcançada quando há o atendimento dos nossos desejos, nossas vontades e aspirações.

Apesar da clareza dessa definição, o termo “felicidade” envolve muitas variáveis, por isso, ao tentar interpretar este sentimento, é preciso ter em mente alguns pontos:

1. Sempre encontraremos problemas ao definir algo, pois definir é pôr fim, colocar limites. E certos conceitos, como os sentimentos, por exemplo, são muito complexos para serem limitados;

2. O que traz satisfação a uma pessoa pode não satisfazer a outra. A satisfação está ligada aos desejos do individuo e cada qual tem os seus desejos, vontades e necessidades.

3. Por fim, sabemos que, sempre que atendido algum desejo, imediatamente criamos outro.

Como se pode ver, felicidade não é algo simples de se classificar ou mensurar. Já o trabalho é um termo mais fácil de conceituar. Segundo a definição do dicionário Houaiss, temos o trabalho como um conjunto de atividades, produtivas ou criativas, que o homem exerce para atingir determinado fim; e também como uma atividade profissional regular remunerada ou assalariada.

Muito se tem falado a respeito de felicidade no trabalho, muitas pesquisas indicam que o primeiro item na escala de valor dos trabalhadores não é a remuneração. Mostram-nos que o trabalhador, antes de pensar no salário, aprecia o ambiente de trabalho; valoriza um bom líder, em quem possa se espelhar; analisa os desafios, entre outras coisas.

Mas será que realmente é preciso estar feliz no trabalho para estar de fato feliz? Será que a pessoa infeliz no trabalho não pode estar feliz? Se ficamos felizes quando alcançamos nossos desejos, então, a resposta reside nos desejos. Quais são seus desejos? Se o seu desejo é ser importante, ser conhecido, então estará feliz com um trabalho de chefia, de gerência ou que exponha seu nome e suas habilidades. Já se seu desejo é ter mais tempo com a família, então estará feliz em um trabalho em que o horário seja respeitado ou que tenha flexibilidade para sair para levar e buscar os filhos na escola ou até mesmo trabalhar em casa.

Agora, se seu desejo é ganhar dinheiro, então estará feliz em um trabalho onde as recompensas são financeiras, que pague horas extras, comissões e prêmios para as vendas e metas atingidas, onde os aumentos salariais ocorram independentes de promoções.

Com certeza existem ainda outros diversos itens que completariam a relação de fatores que fazem uma pessoa feliz, destacados acima, inclusive peço que considere os seus desejos mesmo que não estejam presentes nessa pequena lista. Mas o que temos aqui descrito já é suficiente para mostrar que: quanto mais “material” for o desejo, mais rápido será o prazer por ele gerado. E, quando alcançado, portanto, mais rápido também será criado o novo desejo. Já quanto menos material for o desejo, mais plenitude ele apresentará quando alcançado.

Portanto, é importante compreender bem os seus desejos e as suas reais necessidades, aquelas que vêm do coração. Não podemos esquecer que o trabalho nos dá o senso de pertencimento, de utilidade e de importância na construção de algo maior. E essa sensação de importância, de fazer a diferença, com certeza contribui para alcançar a tão sonhada felicidade.

Como diria nosso querido Gonzaguinha: “E sem o seu trabalho o homem não tem honra e sem a sua honra se morre, se mata. Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz…”.

Se você ficou pensativo com toda essa discussão, logo, meu objetivo foi alcançado. Pois a ideia é provocar a discussão, fazê-lo refletir sobre a sua realidade, em vez de mostrar fórmulas, regras e receitas. Afinal, cada qual tem a sua verdade, cada um entende a felicidade e valoriza o trabalho de forma diferente. Portanto, pense, reflita, reveja suas prioridades, analise-as e seja feliz!

* João Xavier, engenheiro e diretor geral da Ricardo Xavier Recursos Humanos. E-mail: joaoxavier@ricardoxavier.com.br

Fonte: incorporativa.com.br