Notícias

Liderar é um “dom” ou uma especialidade que se pode adquirir?

Aprimorar sempre mas "aprender" a ser um líder não creio ser tão simples como muitos aceditam.

Por Alessandro Ichikawa em 20.06.2012

Li uma vez que o ser humano nasce com uma média de 900 habilidades. Isto mesmo, você e eu temos nada menos que 900 habilidades naturais que vão desde um simples caminhar, falar até cantar, dançar ou pilotar um automóvel como o saudoso Airton Senna, por exemplo.

Sem discutir empirismo ou inatismo, acredito que, diferente dos politicamente corretos, ser líder não se aprende. Precisamos antes de tudo “nascer” para liderar pessoas em sua mais abrangente definição.

Minha opinião é fundamentada em situações que vivemos todos os dias e estudamos na sala de aula ou assistimos nos cinemas. Vemos cases de pessoas que não tiveram oportunidade de se preparar intelectualmente para liderar pessoas e mesmo assim, movimentaram milhares, às vezes milhões de pessoas fazendo a sua verdade tornar-se a verdade da coletividade.

Discutimos cansativamente nos MBAs, cases de presidentes, CEOs, donos de empresas que vão totalmente contra ao modelo mental que constantemente somos bombardeados: “Não existe vitamina verbal mais potente que um elogio.”[Frederick Harris], “feedback negativo ‘no’ particular e feedback positivo ‘no’ coletivo”, “feedbacks devem ser sempre estruturados” e tantas outras frases de efeito que o dia-a-dia nos prova o contrário.

Lembro-me de uma conversa com uma colega sobre um ex-diretor com quem trabalhamos há alguns anos atrás e lembrávamos-nos de algumas passagens com ele. Uma delas era justamente sobre seus feedbacks que, eram sempre muito equilibrados mas nos incomodavam tanto quanto verdadeiro “um tapa na cara”. Nos sentíamos mal com a sensação de o termos decepcionado e sempre ficava um sentimento claro do desafio de fazermos melhor.

Nesta mesma conversa, resgatamos passagens de nossas vidas como esportistas. Em uma delas, meu mestre um dia disse ao meu colega de treinos: “Você nunca será nada neste esporte. Desista”. Neste mesmo dia, minutos depois, ele falou: “Vou mostrar para o sensei do que eu sou capaz!”. Anos depois, ele se tornou campeão da modalidade e auxiliar do mesmo mestre que um dia o desencorajou, ou não?.

Antes que meus amigos saiam desafiando suas equipes desta forma, alerto-lhes que se trata de outro contexto e que meu objetivo aqui é provocar uma análise e reflexão de todos sobre onde exatamente em nossas vidas perdemos a coragem e principalmente a vontade de sermos desafiados. Em que momento de nossas vidas perdemos a força de nos reinventarmos, de nos superarmos, de enfrentarmos as dificuldades sem vaidades ou outros sentimentos menores.

Quem teve oportunidade de praticar um esporte orientado sabe que a maioria dos treinadores e técnicos esportivos não seguem a “cartilha” e curiosamente são estes mesmos técnicos, os mais convidados à palestrar e orientar executivos. Quem duvida que peça para sair 02!

Os “estudiosos” podem discordar dizendo que a habilidade pode ser aprimorada, o que concordo, mas “aprender” a ser um líder creio ser um desafio além da capacidade humana. Se liderar outras pessoas pudesse ser simplesmente aprendido, então jogar futebol como Pelé também deveria ser possível.

O ponto é que, independente do que eu ou você acreditamos, a maioria dos profissionais se depara em algum momento da carreira com o desafio de liderar alguém e se eu pudesse resumir em uma frase o que é liderar, eu diria que liderar é inspirar pessoas.

Fonte: incorporativa.com.br